quinta-feira, 30 de abril de 2009

Crônica de uma morte anunciada: do suicídio entre os Sorowaha

Crônica de uma morte anunciada: do suicídio entre os Sorowaha

João Dal Poz

RESUMO: A prática de suicídio nos Sorowaha, povo de língua Arawa do médio Purus (AM, Brasil), através da ingestão do sumo da raiz de timbó (konaha), mediatiza singularmente as relações entre os indivíduos e a sociedade, projetando uma totalidade social às expensas de um drama ritual individualizador. A relevância do fenômeno é evidenciada tanto pelas taxas de mortalidade que ali se verificam, cerca de cem vezes as médias ocidentais, como também pela inusitada freqüência com que as tentativas, por motivos os mais variados, ocorrem entre eles. O presente ensaio procura examinar as variáveis sociológicas desse padrão de morte voluntária, para em seguida discutir outras dimensões analíticas.

PALAVRAS-CHAVE
: Sorowaha, Arawa, etnologia sul-americana, morte, suicídio, indivíduo.

Suicídio entre povos indígenas: um panorama estatístico brasileiro

Suicídio entre povos indígenas: um panorama estatístico brasileiro

Cleane S. de Oliveira
Francisco Lotufo Neto

Resumo

O suicídio relaciona-se etiologicamente com uma gama de fatores, que vão desde os de natureza sociológica, econômica, política, religiosa, cultural, passando pelos psicológicos e psicopatológicos, até os genéticos e os biológicos. Os autores partem de uma revisão das estatísticas mundiais, destacando os países onde a problemática é mais crítica e, em seguida, mostram uma revisão das estatísticas entre as sociedades tradicionais, detentores dos números mais alarmantes. Esses dados iniciais contextualizam a apresentação do panorama entre as populações indígenas brasileiras. O suicídio é prevalente em diversas populações, sendo relatado entre os Guarani-Apapokuva, os Urubu-Kaapor, os Paresi e os Yanomani. As taxas entre os Ticunas, com 28% do total de óbitos entre 1994 e 1996, e os Caiowás, com taxa cerca de 40 vezes maior que a brasileira, são altamente preocupantes. Entretanto, entre os Sorowahá a situação é dramática, comunidade com 130 habitantes que tem, provavelmente, uma das maiores estatísticas mundiais, com uma taxa estimada em 1.922 por 100 mil habitantes.

Unitermos: Psiquiatria transcultural; Povos primitivos; Povos indígenas/Índios brasileiros; Taxas de suicídio.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Juiz proíbe Funai e AGU de defender indígenas de Dourados (MS)

Vinicius Konchinski - Agência Brasil
17 de Fevereiro de 2009 - 22h48

Dourados (MS) - Índios que respondem a processo criminal que tramita na 3ª Vara da Comarca de Dourados (MS) não podem mais ser defendidos por procuradores da União cedidos à Fundação Nacional do Índio (Funai). O juiz titular Celso Antonio Schuch Santos, decidiu que não vai mais aceitar a assistência jurídica estatal para defesa dos índios réus em processos criminais individuais.
Santos já recusou a assistência jurídica da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Funai em cerca de 20 processos desde o início da semana passada. Ele afirmou hoje (17) à Agência Brasil, que sua posição será a mesma em todos os casos que tramitam na 3ª Vara Criminal. “O Estado não pode usar seus órgãos legais para atender direitos privados”, disse.
De acordo com o magistrado, os índios que vivem nas duas aldeias localizadas no município de Dourados, no sul de Mato Grosso do Sul, não são mais silvícolas e conhecem as leis nacionais. As aldeias, disse ele, são próximas à cidade e os índios estão adaptados ao convívio social com os brancos. Por isso, não seria justo que a AGU ou a Funai os defendam.
“Os índios silvícolas precisam de proteção estatal, mas este não é o caso de Dourados”, complementou Santos. “Os índios são eleitores, votam, podem ser votados, mas, na hora que cometem um crime, não se defendem como qualquer outro cidadão brasileiro?”, afirmou.
Conforme a decisão de Santos, índios réus em processos criminais devem contratar advogados particulares para sua defesa ou, caso não tenham condições de pagar pelo serviço, recorrer à Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul. “Isso é o que todo cidadão faz. Vários índios já são defendidos pela Defensoria”, afirmou.
A Agência Brasil procurou a Funai para saber se o órgão irá recorrer das decisões, mas, até a publicação da reportagem, não obteve uma resposta.

Disponível em:

Índios mantêm bloqueio na MS-156, por mudança na Funai

03/02/2009 - 10h50

Nesta terça-feira os índios retomaram o bloqueio da MS-156, que liga Dourados a Itaporã, no trevo de acesso a Reserva Indígena de Dourados. O bloqueio tem como objetivo pressionar a direção nacional da Funai (Fundação Nacional do Índio) para substituição da administradora regional do órgão, Margarida Nicoletti. Eles também fecharam rodovias na região de Caarapó, Amambai e Juti. Somente ambulâncias e viaturas do Corpo de Bombeiros podem transitar normalmente pela rodovia. Os motoristas são obrigados a utilizar um desvio por dentro da aldeia Jaguapiru para desviar do bloqueio e seguir viagem. Mesmo com as fortes chuvas que caíram em Dourados na tarde de ontem, os índios mantiveram a rodovia fechada. Conforme Bete Moreira, da ONG (Organização Não-Governamental) Índias em Ação, o bloqueio da MS-156 será mantido até que o presidente nacional da Funai, Márcio Meira, se posicione a favor da troca no comando do órgão na região cone sul do Estado. A expectativa é de que o caso seja avaliado no dia hoje pela Funai em Brasília. “Nosso movimento está mais forte do que nunca. A insatisfação com o serviço prestado pela Margarida é geral. Caciques e lideranças de todo o Estado estão aderindo ao nosso manifesto. A Funai vai acabar ouvindo a comunidade e colocando uma pessoa nossa no lugar da Margarida”, comentou. Em Dourados, os índios também mantêm desde a semana passada um acampamento em frente ao prédio da administração regional da Funai. O expediente na Funai está suspenso desde a terça-feira passada, quando lideranças das aldeias de Dourados e região ocuparam o prédio para cobrar a saída de Margarida. Os índios deixaram o interior do prédio do órgão na quinta-feira, após a Polícia Federal cumprir um mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça Federal a pedido da Funai. A suspensão do expediente prejudica a distribuição de cestas de alimentos a aproximadamente 45 mil índios de 22 municípios da região cone sul do Estado. De acordo com a administradora, pelo menos 16 mil cestas de alimentos estão armazenadas no depósito da sede da Funai em Dourados. Conforme ela, a direção nacional da Funai informou que o expediente na administração regional do órgão em Dourados só será retomado quando houver segurança para os servidores voltar ao trabalho.

Campo Grande News

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Índios de Dourados vão se reunir em assembléia para discutir manifestações contra Funai

Dourados (MS) - Uma assembléia de líderes indígenas da região sul de Mato Grosso do Sul vai discutir os protestos realizados por um grupo de indígenas contra a atual chefe do escritório regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Dourados (MS), Margarida Nicoletti. O chamado aty guasu (grande reunião, em língua guarani) deve reunir nos próximos dias 26, 27 e 28, em Amambai (MS), lideranças indígenas de 45 comunidades da região, além de representantes da própria Funai.
O anúncio da assembléia foi feito em comunicado do Comitê Indigenista Missionário (Cimi). Em texto enviado à imprensa, o Cimi afirma que, além de administração de Nicoletti, o trabalho de outros representantes da Funai no sul de Mato Grosso do Sul será avaliado pelos índios.De acordo com Getúlio Juca de Oliveira, cacique da aldeia Jaguapiru, em Dourados, o encontro deve definir uma posição única das comunidades indígenas sobre a permanência de Nicoletti. “Todos os líderes vão poder falar e a gente vai ver o melhor para as aldeias”, disse.
Oliveira, que representa cerca de 13 mil índios de Dourados, disse que é favorável à permanência de Nicoletti na chefia da Funai em Dourados. Porém, afirmou que está disposto discutir a situação.Dirce Veron, uma das índias que protestam pela saída de Nicoletti, afirmou que irá ao aty guasu caso seja convidada. Ela e mais cerca de 40 índios acampam há 24 dias em frente ao escritório regional da Funai, afirmou que pretende convencer outras lideranças de que a exoneração de Nicoletti vai melhorar o atendimento dado aos índios do sul de Mato Grosso do Sul.“Queremos que a cesta básica melhore, que a Funai resolva nossos problemas de documentação e incentive a nossa produção [e] a Margarida [Nicoletti] não quer isso”, afirmou.
Fonte: Agência Brasil (Vinicius Konchinski - 19/02/09)

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Criança indígena morre de desnutrição em Mato Grosso do Sul

16/04/2005 - 15h19
Criança indígena morre de desnutrição em Mato Grosso do Sul

da Folha Online

Mais uma criança indígena morreu de desnutrição neste sábado em Mato Grosso do Sul. Desta vez, a vítima foi um menino de 1 ano e 7 meses, pertencente à etinia guarani-caiuá, de Dourados.Segundo o posto da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) de Dourados, a criança ficou internada no hospital por seis dias. Ela apresentava um quadro de diarréia.Após apresentar sinais de melhora, o menino recebeu alta na última quinta-feira. A criança já apresentava um quadro de paralisia cerebral neurológica e de desnutrição severa. Só neste ano, 19 crianças indígenas morreram em Mato Grosso do Sul em decorrência de doenças associadas à desnutrição.

Desnutrição mata seis bebês indígenas

03/03/2007 - 11h57
Desnutrição mata seis bebês indígenas

HUDSON CORRÊA da Agência Folha, em Dourados

Relatório da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) aponta desnutrição como causa da morte de seis crianças indígenas guaranis e caiuás com até dois anos de idade, em Mato Grosso do Sul, apenas em janeiro e fevereiro deste ano.Em todo o ano de 2006, a desnutrição apareceu entre as causas da morte de 14 crianças guaranis e caiuás de até quatro anos. Em 2005, foram 27 casos.O relatório diz que, neste ano, a Funasa atendia às crianças, mas não conseguiu salvá-las devido a desajustes na família indígena. Em dois casos, a desnutrição aparece como única causa da morte; em quatro óbitos, está associada a doenças. No total, 22 crianças indígenas morreram em janeiro e fevereiro em MS, sendo 20 das etnias guarani e caiuá.Além das seis mortes relacionadas a desnutrição, outros 16 indiozinhos foram mortos por pneumonia, gastroenterite, insuficiência cardíaca, prematuridade e até agressão física.Em 2007, houve três mortes relacionadas a desnutrição em Dourados. Até anteontem, a Funasa confirmava duas, mas o relatório trouxe novos dados. Durante todo o ano de 2006, ocorreu apenas uma morte por desnutrição em Dourados.O relatório descreve os casos de morte. Como o de Raimas Garça Cepre, 9 meses, que chegou a janeiro em risco nutricional, com 6,5 kg, após perder 400 gramas. Internada com diarréia e vômito, morreu no dia 24 de janeiro. 'Este é o segundo filho morto do casal. A outra criança morreu afogada em um balde. Todos integrantes da família são usuários crônicos de álcool', diz o relatório.Nandinho Fernandes, 2 anos e 1 mês, perdeu 500 gramas entre 10 e 29 de janeiro, ficando com 6,8 kg. A mãe não aceitou internar a criança, diz o relatório. Quando concordou, foi liberada no hospital sem que a informação chegasse à Funasa. Internado de novo, Nandinho morreu em 10 de fevereiro.Cleison Benites Lopes, 10 meses, estava desnutrido e morreu no dia 25 passado na aldeia Bororó, em Dourados. Levado ao posto de saúde no dia 14 de fevereiro com febre e tosse, deveria retornar no dia 23. A mãe, segundo a Funasa, mentiu ao agente de saúde dizendo que já tinha ido ao posto.Camila Romeiro Sarate, 2 meses, nascida com 3 kg, foi internada com 2,85 kg em 18 de janeiro no hospital Universitário. Segundo a Funasa, a mãe não amamentava o bebê porque o marido a abandonou. Camila morreu em 1º de fevereiro.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u89940.shtml