sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Criança indígena morre de desnutrição em Mato Grosso do Sul

16/04/2005 - 15h19
Criança indígena morre de desnutrição em Mato Grosso do Sul

da Folha Online

Mais uma criança indígena morreu de desnutrição neste sábado em Mato Grosso do Sul. Desta vez, a vítima foi um menino de 1 ano e 7 meses, pertencente à etinia guarani-caiuá, de Dourados.Segundo o posto da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) de Dourados, a criança ficou internada no hospital por seis dias. Ela apresentava um quadro de diarréia.Após apresentar sinais de melhora, o menino recebeu alta na última quinta-feira. A criança já apresentava um quadro de paralisia cerebral neurológica e de desnutrição severa. Só neste ano, 19 crianças indígenas morreram em Mato Grosso do Sul em decorrência de doenças associadas à desnutrição.

Desnutrição mata seis bebês indígenas

03/03/2007 - 11h57
Desnutrição mata seis bebês indígenas

HUDSON CORRÊA da Agência Folha, em Dourados

Relatório da Funasa (Fundação Nacional de Saúde) aponta desnutrição como causa da morte de seis crianças indígenas guaranis e caiuás com até dois anos de idade, em Mato Grosso do Sul, apenas em janeiro e fevereiro deste ano.Em todo o ano de 2006, a desnutrição apareceu entre as causas da morte de 14 crianças guaranis e caiuás de até quatro anos. Em 2005, foram 27 casos.O relatório diz que, neste ano, a Funasa atendia às crianças, mas não conseguiu salvá-las devido a desajustes na família indígena. Em dois casos, a desnutrição aparece como única causa da morte; em quatro óbitos, está associada a doenças. No total, 22 crianças indígenas morreram em janeiro e fevereiro em MS, sendo 20 das etnias guarani e caiuá.Além das seis mortes relacionadas a desnutrição, outros 16 indiozinhos foram mortos por pneumonia, gastroenterite, insuficiência cardíaca, prematuridade e até agressão física.Em 2007, houve três mortes relacionadas a desnutrição em Dourados. Até anteontem, a Funasa confirmava duas, mas o relatório trouxe novos dados. Durante todo o ano de 2006, ocorreu apenas uma morte por desnutrição em Dourados.O relatório descreve os casos de morte. Como o de Raimas Garça Cepre, 9 meses, que chegou a janeiro em risco nutricional, com 6,5 kg, após perder 400 gramas. Internada com diarréia e vômito, morreu no dia 24 de janeiro. 'Este é o segundo filho morto do casal. A outra criança morreu afogada em um balde. Todos integrantes da família são usuários crônicos de álcool', diz o relatório.Nandinho Fernandes, 2 anos e 1 mês, perdeu 500 gramas entre 10 e 29 de janeiro, ficando com 6,8 kg. A mãe não aceitou internar a criança, diz o relatório. Quando concordou, foi liberada no hospital sem que a informação chegasse à Funasa. Internado de novo, Nandinho morreu em 10 de fevereiro.Cleison Benites Lopes, 10 meses, estava desnutrido e morreu no dia 25 passado na aldeia Bororó, em Dourados. Levado ao posto de saúde no dia 14 de fevereiro com febre e tosse, deveria retornar no dia 23. A mãe, segundo a Funasa, mentiu ao agente de saúde dizendo que já tinha ido ao posto.Camila Romeiro Sarate, 2 meses, nascida com 3 kg, foi internada com 2,85 kg em 18 de janeiro no hospital Universitário. Segundo a Funasa, a mãe não amamentava o bebê porque o marido a abandonou. Camila morreu em 1º de fevereiro.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u89940.shtml

Desnutrição e alcoolismo assolam aldeias em MS

04/03/2007 - 10h27
Desnutrição e alcoolismo assolam aldeias em MS

HUDSON CORRÊA da Agência Folha, em Dourados

Donos de menos de 40 mil hectares de terra, cerca de 30 mil índios guaranis e caiuás de Mato Grosso do Sul estão confinados. Falta terra em um ambiente de miséria.Há casos de desnutrição infantil, alcoolismo, prostituição, filhas grávidas do pai, violência (ao menos 60 índios são presidiários), suicídios (11 enforcamentos em 2006) e conflito pela posse da terra (uma índia de 70 anos foi morta a tiros em janeiro dentro de uma fazenda).Com esse quadro, as famílias dependem de cestas de alimentos dos governos estadual e federal. Apesar disso, algumas famílias trocam cestas por bebida alcoólica, segundo lideranças.Nas duas etnias, a desnutrição causou a morte de 47 crianças indígenas menores de quatro anos de 2005 a fevereiro deste ano, segundo a Funasa (Fundação Nacional de Saúde).Em janeiro e fevereiro deste ano foram seis mortes relacionadas à desnutrição.'As cestas ajudam muito. O reflexo vem rápido: cortou a cesta, no outro mês começa a complicar. Em janeiro, o número de crianças que perderam peso aumentou muito', afirma Hélder Lúcio Ganacin, médico da Funasa.Ao tomar posse neste ano, o governador André Puccinelli (PMDB) suspendeu a distribuição de 11 mil cestas de alimentos a indígenas. A Funasa seguiu distribuindo 5.500. O governo federal ainda prepara uma intervenção maior, enquanto a Funai (Fundação Nacional do Índio) está ausente (leia texto nesta página).O alcoolismo atinge parte das famílias. Não há estatísticas, mas em Dourados (MS) a Funasa tem uma lista de 60 famílias em que os pais bebem e as crianças são desnutridas.Na reserva de 3.475 hectares vivem cerca de 11 mil índios, incluindo terenas. Entre 2.338 crianças, 8,2% estão desnutridas. Há 20 em estado grave. Três crianças morreram neste ano de causa relacionada à desnutrição nessa área indígena, situada a 5 km da cidade.Conforme a Funasa, a densidade demográfica na aldeia chega a 331 habitantes por quilômetro quadrado; em Dourados, é de 40,2. Motos, bicicletas e carros ainda dividem espaço com as carroças dos índios.A situação é semelhante nos 2.430 hectares da reserva de Amambaí, onde vivem 7.000 índios. Dentro das aldeias, a Funasa mantém uma rede de postos de saúde e atendimento nas casas, mas passou também a ser fundamental na distribuição de cestas de alimentos.O chefe do Distrito Sanitário Especial Indígena de Mato Grosso do Sul, Wanderley Guenka, montou a estratégia para o mês de março: atenderá 8.239 famílias com crianças menores de seis anos com 44 kg de alimentos cada um. Outras 3.000, sem crianças pequenas, receberão uma cesta de 22 kg.